De volta a esquina

De volta a esquina
09/02/2026

De volta à esquina

DG escreve

O último domingo foi marcado pela decisão da Supercopa do Brasil. Um resultado acabrunhante para boa parte do povo e da imprensa, que já fazia contas do tamanho da goleada rubro-negra. O futebol, como se sabe, tem dessas desfeitas.

Mas o que atraiu a atenção não foram os dois tentos em preto e branco, e sim o ufanismo que se seguiu. Parecia final de Copa do Mundo, com direito a cuícas, bandeirolas e mitos — muitos mitos. O maior deles, a chamada “invasão de Brasília”, uma liturgia que, vira e mexe, é celebrada como feito histórico, épico, quase civilizatório. Um teatro ruidoso, desses que preferem o aplauso ao próprio espetáculo.

A verdade, entretanto, quase sempre fora de esquadro: os ingressos destinados aos flamenguistas esgotaram-se em menos de 24 horas. Do outro lado, a venda se arrastou, pingando parcimoniosamente, como quem comparece movido por um dever patriótico de alimentar um enredo. Ao final, chegou-se aos mesmos cinquenta por cento — assim como os mil gols de Pelé vis-à-vis os mil gols de Romário.

Isso me lembra o caso do seu Belinho. Homem de respeito, fiel à própria história. Seu único defeito era a boca. Um boquirroto desses que se gabam alto nas ruas, jurando domínio absoluto sobre a própria casa. Enquanto falava, outro atravessava a soleira, sentava-se no sofá e resolvia o essencial em silêncio. Seu Belinho nem ligava, sempre convencido de que aquilo era coisa de somenos importância - afinal de contas, cada qual no seu cada um.

No campo, a conversa é outra. Talvez por isso o Corinthians tenha andado às turras com o Flamengo. Nos últimos nove anos, apenas quatro vitórias — e algumas derrotas largas, como o 5 a 1 no Brasileirão de 2020.

Mas na decisão da Supercopa foi diferente. Desta vez, não foi a prosa que venceu o jogo.

O Corinthians chegou em casa mais cedo para só depois voltar à esquina.