Pena e pelota
Minicronicas, charges e achados do futebol
Este espaço nasce da convicção de que o jogo não cabe inteiro em lugar nenhum. Há sempre um resto — um detalhe, uma frase ou uma imagem — que escapa ao noticiário e encontra abrigo apenas na escrita curta, na charge bem colocada, no achado esquecido de arquivo.
Pena e Pelota é isso: um lugar para o que sobra.
Aqui não há pressa de fechar edição, nem compromisso com o calendário das competições. O futebol aparece quando pede palavra. Às vezes em poucas linhas, às vezes em um traço irônico, às vezes numa fotografia antiga que diz mais do que qualquer estatística moderna. O que importa não é a quantidade, mas o olhar.
A minicrônica, por definição, não explica — sugere. A charge não informa — cutuca. A imagem antiga não grita — permanece. É nesse território discreto, lateral e deliberadamente fora da manchete, que este espaço se instala.
Preferimos o lance que passou despercebido, o personagem secundário, o gesto mínimo que diz mais do que o gol repetido à exaustão. O futebol, afinal, sempre foi maior do que seus protagonistas ocasionais — e mais duradouro do que suas modas.
Se este espaço tiver algum mérito, que seja o de resistir à pressa. E se houver alguma ambição, que seja modesta: fazer do futebol um pretexto digno para a escrita e da escrita uma forma honesta de memória.
Assim, sem alarde, está aberto o gramado.